
Quando morreres quero como herança o teu esperma enterrado na aridez do meu corpo para que jamais morras em mim.
Em meus olhos nascerá outra manhã afogada no túmulo do meu desgosto, recordando como eram bonitos os dias em que chovia e pedias para vires dentro de mim.
Nunca mais verei as curvas do teu corpo, consigo ainda vislumbrá-lo entre gemidos incessantes de outros corpos que não são os nossos... o teu.
Por ti fico à espera, ponho as minhas asas e fico à espera que toques à minha porta. Raramente me telefonam ou tocam à porta, tento sempre imaginar que alguém até sabe que eu existo nesta casa virada para para o maior deserto de todos, Lisboa.
Com o passar do tempo, que nunca sei bem quanto, fui perdendo por entre as horas o amor que vivia em mim, em frente ao relógio estático que nunca um ponteiro moveu.
Outras almas me virão buscar, a solidão tornou-se isto, uma espera interminável enquanto o meu organismo se consome a si próprio para continuar a viver.