11 fevereiro, 2006

A espera




Quando morreres quero como herança o teu esperma enterrado na aridez do meu corpo para que jamais morras em mim.
Em meus olhos nascerá outra manhã afogada no túmulo do meu desgosto, recordando como eram bonitos os dias em que chovia e pedias para vires dentro de mim.
Nunca mais verei as curvas do teu corpo, consigo ainda vislumbrá-lo entre gemidos incessantes de outros corpos que não são os nossos... o teu.
Por ti fico à espera, ponho as minhas asas e fico à espera que toques à minha porta. Raramente me telefonam ou tocam à porta, tento sempre imaginar que alguém até sabe que eu existo nesta casa virada para para o maior deserto de todos, Lisboa.
Com o passar do tempo, que nunca sei bem quanto, fui perdendo por entre as horas o amor que vivia em mim, em frente ao relógio estático que nunca um ponteiro moveu.
Outras almas me virão buscar, a solidão tornou-se isto, uma espera interminável enquanto o meu organismo se consome a si próprio para continuar a viver.

Respostas a ti...



Entrego-me à morte como da vida surgi.

Estrela Homem




A estrela que se consome a ela própria, o buraco negro sem brilho continua a ter a aparência de um ser que antes da estrela fora homem...

Mundo que não existe



Um dia irei enfeitar o meu pescoço com os teus crimes e vaguear pelas ruas. Talvez atinja a luz e a misericórdia de mim mesma...

Exmos Senhores,

Benvindos à guerra do mundo que não existe.

homens cegos


Por detrás da parede intransponível, homens cegos continuam a procurar a visão do amor.



28 novembro, 2005

Secreta Suavidade


Vivo no verso, nas costas do meu eu, até quando o prendes? A escrita tem poder de nos atingir com a sua secreta suavidade, abre-nos os olhos para o interior de nós mesmos. Subitamente a fogueira no soro da verdade...

13 outubro, 2005

Poemas na noite...


Recuso-me a ler os poemas que descrevem a dor e a tormenta nocturna, fazem-me lembrar o pouco que falta para que chegue a noite. A alma apodrece durante as horas intermináveis da noite… tenho medo! O medo não me deixa dormir, com ele vêm os fantasmas que durante o dia gritam dentro de mim para que os liberte, os expulse com violência. Por detrás do rosto de cristal existe uma carcaça de pensamentos e vidas que cegam. Alguém consegue ver o sangue que escorre nos olhos desta tristeza? Tento não ler… Recuso devolver-me à ternura dos anos que são tão novos, deixo-me quieta.
Nua no poço que ninguém vê o corpo a boiar na espessura das àguas sujas e podres. Mas não preciso de ajuda… Remeto-me a um doloroso silêncio, as gaivotas mesmo antes de regressarem ao mar, saciaram a sua fome ao devorarem-me a língua, fiquei muda, com elas levaram as minhas palavras, espalharam-nas no mar, na esperança que o corpo mutilado apareça na espuma das manhãs…
Não paro de matar tudo com as minhas palavras…

O homem que caminha sozinho


Que desejos de Amor serão estes que o cercam? O homem que caminha sozinho no gume afiado da sedução… Dos ventos quentes, a única coisa que perde é a solidão do vazio ouvindo o ressoar eterno do deserto…

Corta-te


Corta-te, experimenta o duro doer da realidade
Toma banho no sangue dos cegos
Sente-te purificado de tão real visão,
Deixa-te consumir pela tão desejada dor
Como vidros incrustados na alma
Expele tudo aquilo que julgas ser bom
Adormece com o tempo…
Seca como as peles maduras
Queimadas do sol
Dicipa-te em mil bocados
E deixa-te viajar…

12 outubro, 2005

Cidades


Os olhos mostraram-me a dor das cidades,
Viajei através do seu calor
Conheci o mundo dentro de 4 paredes.
Tens o odor das cidades que descrevi, que nunca as viajei
Afoga-me no teu mundo
És a fúria que me avassala a alma
És fogo que me consome...

03 outubro, 2005

Claridade cinza...


A claridade do dia é cinza, sabes?...
Eu amo-te... perdia-me para sempre nesta luz...
Para sempre... se ficasses comigo...
Vou fechar os olhos e chorar de saudade.

01 setembro, 2005

A verdade na mentira...


Ao levarem a criança ela percebeu que nunca conseguiria lutar contra os lobos, mas o pesar maior era saber que a verdade existia, e, ao não revelar sentiu-se mais forte. Embora a mentira fosse observável em cada olhar, o mais importante desta mensagem é que a criança ignorou os lobos pela sua sede de vingança. Esta ainda pensou: - " Se avistar o caçador não o hei-de ajudar…" porque quando o amor acaba já não há verdade, tudo se perde…

12 agosto, 2005

não lugar...


É certo que ainda era pequena e já sentia que a terra era um não lugar...